| 14 Junho 2011
Vivemos um daqueles momentos em que o risco maior talvez seja não apostar em nada - John Elkington.
(O texto abaixo formará um livro, “50 coisas que aprendi sobre o mundo 2.0?. Colaborações são bem vindas e os que ajudarem na revisão, melhoria do texto serão citados nele.)
1 - A internet forma um conjunto de tecnologias de informação e comunicação integradas, surgidas no final do século passado, que inaugura uma nova ecologia informacional na sociedade, tivemos algo similar com a chegada da fala, da escrita e da escrita impressa.
2 - A passagem de uma ecologia informacional para outra pode ser considerada uma revolução da informação e da comunicação. No passado, tal fenômeno macro-histórico, com a chegada do papel impresso, passou por 4 fases distintas: difusão e massificação da tecnologia, surto filosófico, revoluções sociais e, por fim, consolidação. Estamos agora ainda na fase 1, nos cinco primeiros minutos do primeiro tempo.
3 - Revoluções nesses dois campos são fenômenos raros na sociedade, tendo outro similar ocorrido há 500 anos com a chegada do papel impresso na Europa e têm como característica principal a descentralização da informação e da comunicação (o que não ocorreu com a chegada do rádio ou da tevê), impactando fortemente na forma de estruturação do poder, com variações nas diferentes regiões do globo.
4 - Tais revoluções, apesar de serem iniciadas com fenômenos tecnológicos, têm forte impacto na maneira em que a sociedade se organiza, criando condições sociais para um longo processo de mudanças culturais e filosóficas, alterando a forma como pensamos o mundo e gerimos a sociedade. São tantas alterações que pode-se afirmar que inauguramos uma nova civilização, a partir desse fenômeno;
5 - Há fortes indícios que a internet e suas consequências sejam motivadas pelo acentuado aumento da população ocorrido nos últimos 200 anos, quando passamos de 1 para 7 bilhões de habitantes, o que obriga toda a sociedade a rever seus modelos de gestão, nos quais se inclui principalmente a forma de exercer o poder na políticas, nas empresas, nas escolas etc.
6 - O novo ambiente informacional permite, de forma mais dinâmica, em função das novas e mais complexas demandas, resolver problemas produtivos, de informação, comunicação e de gestão social de forma menos burocrática, restabelecendo novas formas de trabalho mais colaborativas, que são mais econômicas e competitivas do que as anteriores e, por isso, tendem a ser adotadas em larga escala, apesar das resistências culturais vistas hoje em dia.
7 - Todas as instituições da sociedade passam a ser influenciadas pelo novo ambiente informacional, tendendo à descentralização de poder, revisão de processos e procura de novas formas de gestão mais inovadoras e ágeis. São mudanças estratégicas de longo prazo. Para isso, alguns pilares conceituais começam a ser revistos, tais como: trabalho versus colaboração; lucro versus motivação; democracia atual x novo tipo de democracia.
8 - A chegada desse novo ambiente informacional, entretanto, induz quase que naturalmente mudanças estruturais de gestão, pela nova forma de comunicação e informação, mas não garante que elas ocorram de forma mais humana, reduzindo sofrimentos, o que depende dos esforços que podem ser feitos por movimentos sociais e espirituais, certamente utilizando esse novo ambiente de troca.
9 - Mudanças em ecologias informacionais alteram a forma de funcionamento do cérebro de forma irreversível, tendo aspectos que reduzem e outros que ampliam sofrimentos humanos, no que podemos chamar de inevolução - parte resolve problemas, parte cria;
10 - A nova ecologia informacional, por ser fenômeno raro e incomum, questiona de forma radical nossas teorias sobre a sociedade, principalmente a influência da demografia e a relação desta com a informação, com comunicação e com as mudanças sociais. Assim, para compreender o fenômeno, é preciso recorrer à filosofia e à história, que ajudam a superar crises desse tipo. Tal fato exige de todos nós grandeza de espírito, abertura ao novo, aprofundamento teórico e criação de espaços de diálogo aberto para superar de forma coletiva as dificuldades que já temos e teremos para participar e para influenciar nesse processo irreversível.
